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A taróloga que amava os livros

  • Foto do escritor: Samarone Lima Oliveira
    Samarone Lima Oliveira
  • 23 de nov. de 2024
  • 2 min de leitura

No dia 12 de março de 2017, cheguei em Olinda para realizar um velho sonho: morar e ter um sebo.

Dona Lady, dona da bela e imensa casa na rua 13 de Maio, não imaginava que eu só tinha mesmo o dinheiro do primeiro aluguel.

A cidade estava em festa. Era o aniversário de Olinda

Com a ajuda de amigos muitos, montei e inaugurei o @sebocasaazul, que logo se tornou uma espécie de centro cultural, que funcionou a todo vapor, sem verbas de governos, até o desastre da pandemia da Covid-19.

Uma amiga muito especial veio me visitar, e falou de uma taróloga incrível, chamada Célida Samico. Morava ao lao do Mosteiro de São Bento.

Gosto de todas as coisas esotéricas, menos certos esotéricos.

Marquei um horário e fui visitá-la . Morava num casarão belíssimo, arejado, repleto de xilografias do seu grande amor, o artista plástico Gilvan Samico.

Foi uma grande amizade à primeira vista. Conversamos muito sobre a vida e seus caminhos. Como eu tinha trabalhado cinco anos com Ariano Suassuna, que era um grande admirador e amigo de Samico, tudo fluiu.

Ela embaralhou as cartas e desembaraçou um pouco minha vida, que estava recomeçando.

Célida tinha um problema. Era uma leitora compulsiva, e os livros da casa já não davam conta. Já tinha lido todos, e relido muitos. Combinei que traria lotes, para ela renovar as histórias.

Daria um belo filme: “O sebista e a taróloga que amava os livros”.

Semanalmente, levava uma sacola com minha seleção. Ela ficava feliz com a “encomenda”. Tomávamos café, conversávamos, enfim.

Posso dizer que leu grande parte do meu elogiado acervo. Eu recebia de volta os volumes com um pequeno papel dentro, sinal que tinha lido. Comentava os autores que tinha lido pela primeira vez.

Na última vez que a vi, estava bastante debilitada, na cama, cercada de cuidados. Ontem, o velho amigo Esequias Pierre me informou de sua morte. Lembrei de muitos momentos lindos com ela.



Com suas cartas sagradas, Célida leu minha vida.



Descanse em paz, querida amiga.



 
 
 

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